20080211

Mais um dia...


Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade,
Ausência
Imagem retirada de Google Images

10 comentários:

Luís Galego disse...

os poetas dizem estas coisas maravilhosas, às vezes crueis; só eles as sabem dizer assim. Bem vinda a poesia brasileira. Para alêm de Andrade tenho uma admiração inesgotável por Manuel Bandeira, um pouco esquecido entre nós.

avelaneiraflorida disse...

Caro Luís,
e como não deixar transparecer a "crueldade" de uma ausência?????

Manuel Bandeira é de facto outro dos grandes fazedores de sentires!!! Acho que vou aproveitar a "dica", BRIGADOS!!!!

multiolhares disse...

podemos sentir ausência de tudo
menos de nós mesmos, isso é terrível
beijinhos
luna

Maria disse...

Nunca tinha pensado na ausência como um "estar em mim"...
Vou levar este poema comigo, que me diz tanto.....

Beijinho

avelaneiraflorida disse...

Multiolhares,

e se a ausência de nós for a ausência do outro?

e há tantas formas de ausência...

Bjkas!!

avelaneiraflorida disse...

Amiga Maria,

e não ficamos tantas vezes...tão sós connosco??????

Bjkas!!!

Jose Gonçalves disse...

Pois ele há tantas formas de ausência, mesmo em muitas situações em que se está...
Um abraço
José Gonçalves

avelaneiraflorida disse...

Amigo José Gonçalves,

e na ausência...procuramos o caminho!!!!

Bjkas!

Ni disse...

Fantástico... nunca tinha percebido porque sorrio quando sinto tão profunda ausência.

Bjinhos

avelaneiraflorida disse...

Querida NI,

uma APARENTE contradição...não é?????

Bjkas!!!