20051130

Manhã de Novembro

Imagem (C) Dale H

E a saudade daquela água antiga invadiu-me, de repente. Daquelas toalhas de linho com monogramas de noivas passadas... Aquelas manhãs de frio condensado em fiapos pelas janelas. Aquela água que me limpava dos uivos, do lobo, dos medos da noite interior...

20051124

O meu lado Fiona!


Estou cada vez mais convencida que o meu lado Fiona se está a vincar. A ganhar uma imensa força!
Um dia destes se acordar verde já não me admiro! O mais dificil é habituar-me a essa "espécie " de cor...
Se mais alguém tiver uma daquelas ideias geniais para nos impingir... eu solto o meu grito de guerra!!!
Não vai haver Farquad que me faça frente!!!!









Não estraguem o restinho de magia que me resta!!!!!

20051123

Os meus sentidos...










Imagem(C) Aspin-1825





Divergentes...opostos.Não!
Regressando a mim.

20051118

Estamos aqui...estamos entregues aos bichos!

Com estas ideias mirabolantes, um dia destes ainda nos colocam em jaulas e nos põem a fazer habilidades para turista ver!!!!
Depois elaboram um relatório meticuloso, todo enfeitado de choques tecnológicos, e enviam-no para todas as agências noticiosas desta aldeia global!!!!
Convidam uns tantos "crânios" ultra sapientes, oferecem uma mistela de honra e uns petits fours E564, e muitos flashs depois ...cada um regressa a penates para descansar de mais um dia stressante, não sem antes verificar, no carro pago com motorista às ordens, se as fotos estão mesmo nas primeiras páginas!!!!
Com um bocadinho de sorte, nós, a esta altura ainda estamos na jaula...porque alguém nos trancou a cadeado e, com a pressa de ir ver o reality show, ...deitou fora a chave!!!!!!!!
Pergunto eu, para as grades da minha jaula: porque escolheram logo esta ministra????E como até aprendi qualquer coisa, no passado, na minha escola, com bons professores...ouço-me a dizer:
" E as crianças, senhor, porque lhes dais tanta dor? Porque padecem assim?!!!!!!"

20051114

20051113

Gota d'água

Era assim Chico Buarque
em 1975...


Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Qlha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção faça não
Pode ser a gota d'água

Imagem (C) KATIE S

20051112

Para ler. E reler...

Imagem(C) A.Kiefer


Conseguiu fabricar óleo de flores de urtiga branca e grãos de agrião e uma água com casca fresca de sabugueiro e ramos de teixo[...]
Destilou latão, porcelana e cabedal, grãos de cereais e seixos. Destilou terra e em vão. Sangue, madeira e peixe fresco. Os seus próprios cabelos.
in O Perfume - P. Süskind

20051111

Hoje há AROMAS no ar...






Os vinhos ganham vida! Perfumam o ar das velhas adegas e desafiam os sentidos.
O sol retido nos cascos de madeira, nas garrafas adormecidas, desprende-se numa dança de intensos reflexos, adornando sorrisos e despertando sabores...
Como numa dança, eterna, repetida, retorcendo-se em espirais que relembram as vides, natureza mãe e cálice inicial...

Imagem(C) Yuroz - Taste my wine

20051110

Dias de espera...

Imagem (C) A. Kiefer

Esta espera imensa...repetida.
Tão insolúvel na distância!

20051106

As mulheres que há em mim

Ao ler o romance de Marie de la Pau Janer quase acreditamos que a personagem Carlota é o centro de tudo! Não é ela, como o não são as outras duas mulheres, sua avó e sua mãe, que ela julga continuar...
Não.o centro de tudo é a India!!! Misteriosa e dramática!!! presa no destino de Ramon.Ele sim, principio e fim. Ele, força impulsionadora e impulso de si próprio.Viajante da procura, da memória e do esquecimento!São os seus pés descaiços que pisam, que sentem a pedra do Taj Mahal...
Círculo perfeito do Amor!

20051101

E de súbito...uma imensa e estranha saudade!


Abri o armário, estavão lá todos os vestidos! Esperando que a mão lhes tocasse.Guardando restos de perfume, enovelando memórias de outros dias. Felizes! A cheirar a novo. A cheirar a vida! Presos no tempo .
De manso toquei-lhes! As flores, desabrocharam-me nas mãos abandonando-se à descoberta! Pequenas rugas, saliências de si próprias, subitamente revelaram-se e descobriram segredos daquela textura de crepe. Nova! Diferente dos meus algodões macios e ingénuos. Como uma festa de fantasias.Uma prenda por abrir...
Num impulso tirei-os das cruzetas de madeira! Soltos, pareceram perder aquele mistério que os tornavam tão distantes! Aninharam-se uns sobre os outros numa mistura de cores e texturas. Como uma imensa mancha de primavera a meus pés! o armário pareceu subitamente escurecido e mais triste! O espaço, agora vazio de cor, pedia-me que o deixasse quieto. Com cuidado fechei a porta. O enorme espelho ficou na minha frente desafiando-me!
E peguei neles, um por um, com a ponta dos dedos. Coloquei-os à minha frente. Olhei. Mesmo com toda a minha boa vontade arrastavam-se pelo chão. Estreitavam-se demasiado na cintura. E até aquele cheiro doce parecia ter-se dissolvido no ar...
Apenas o de crepe se me agarrava às mãos. As flores pareceram mais rubras no seu leito de cinza marfim.As pequenas fitas de cetim ganharam matizes na luz do dia. Como um afago, suave, como talvez as tuas mãos, que não conheci, o foram!
Colou-se-me como uma pele nova e diferente! Menina feita mulher!Passado e futuro numa intersecção frágil do momento! Ganhei coragem para olhar o espelho! Com toda a força desejei ver-te! Abri muito os olhos...
e não estavas lá!