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A tiritar de frio, em seu balcão,
Tosse o Príncipe louro, e as nuvens olha;
Sua cr'oa de nardos de desfolha,
pelos canais, cantando os cisnes vão...
Não ha pavões: só penas de pavão!
Treme o lago, ao cair de cada folha...
E dos repuxos a poeira molha
O moço, quando passa a viração...
Cerra os olhos o Príncipe, cansado
De ver nas foscas nuvens, batalhando,
Plúmbeas quimeras, em revoltas iras...
E, no mosaico do balcão dourado,
Dos seus dedos exangues, vão tombando
Os anéis cravejados de safiras...
Eugénio de Castro.
Depois da Ceifa
Imagem Lourdes Vannier1 (C) Crepúsculo 1997

