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20080518

O nome lírico


Esta manhã
hoje
é um nome.


Nem mesmo amanheceu
nem o sol
a evoca.


Uma palavra
palavra só
a ergue.


Como um nome
amanhece
clareia.


Não do sol
mas de quem
a nomeia.


Fiama Hasse Pais Brandão
in Rosa do Mundo -2001 Poemas para o Futuro
Imagem (C) Irene Sheri

20071203

De repente...manhã!


A primeira casa de que no silêncio ouvi falar.

A de outrora.De que não mais se fala. O

vácuo.


A seda de que era feito o livro.Um

fundo de Damasco lavrado de figuras

isoladas.


Não falar nunca, no silêncio, sobre a casa.

A que era própria dos sons.Casa

límpida.


para ressoarem os livros.Rever a pluma

e a escrivaninha insólitas. Na cena. Na casa

solitária.


Que volte a ser minha. Que eu alcance a

graça do lugar absurdo. Esse círculo,

ao reler.


Fiamma Hasse Pais Brandão,
Três Rostos
Imagem (C) Jon Foster

20071108

SOBRE O CHÃO


Sobre o chão

pisamos as mesmas tábuas

os mesmos

passos inscritos


necessariamente as águas

não os lavam

se corressem

aqui rios


No tempo

os passos formam

uns resíduos


Moem

sobre o soalho

o lodo

que toda a água

se passasse

deixará


Fiama Hasse Pais Brandão,
Barcas Novas, 1967

Imagem (c) Audrey Kawasaki

20070811

O nome lírico


Esta manhã

hoje

é um nome.


Nem mesmo amanheceu

nem o sol

a evoca.


Uma palavra

palavra só

a ergue.


Como um nome

amanhece

clareia.


Não do sol

mas de quem

a nomeia.


Fiama Hasse Pais Brandão,

in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro
Imagem(C) locawebcom.br