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20070911

para o dia...

Foto cedida por (C) especial repórter


Vagueia o poeta pelos campos; admira,


Adora; ouve dentro de si mesmo uma lira.


E ao vê-lo chegar, as flores, todas as flores,


As que dos rubis empalidecem as cores,


As que dos pavões deixam as caudas ofuscadas,


As florezinhas azuis, as florezinhas douradas


Tomam, para o acolher, nos seus ramos agitados,


Arzinhos humildes, ou grandes ares afectados,


E, familiarmente, porque fica bem às belas:


" Olha! É o nosso amado que passa!", dizem elas.


E, cheias de luz e de sombra, com vozes inquietas,


As árvores gigantescas que vivem nas florestas,


Todas essas velhinhas, as tílias, os áceres, os teixos,


Os carvalhos venerandos. os enrugados freixos,


O olmo de negra ramagem, que o musgo entorpece,


Como os ulemas fazem quando o mufti aparece,


Saúdam-no com grandes vénias, curvando para a terra


As cabeças de folhagem e as suas barbas de hera,


E vendo na sua fronte um sereno esplendor,


Murmuram muito baixinho: É ele! O sonhador!




Victor Hugo


in Poemas


(trad. Maria Manuela Parreira da Silva