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Aprende a estar só, e a dizer
Adeus às coisas que se afastam.
Deixa-as ir, supérfluas...Recolhe-te
À pobreza das coisas que te bastam.
Não te apegues à névoa dispensável
Nem ao cómodo torpor do que te é dado.
Mas canta, como um rio que não sabe
Se canta para si ou se é escutado...
Estende à beira-nada o teu poema,
Vai cantando sozinho o que é verdade
E deixa-te invadir pela bondade
- A sabedoria íntima e suprema.
João Maia, " Abriu-se a Noite"
Imagem (C) Charles Sims
