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20080315

e o dia nasce...


Pela poesia uma pequena corça chegou esta manhã

e na folha o seu novo nome cheirou.

Mas assustou-se ao tocar com os brancos dentes

na água azul das ervas e não foi mais que um céu

no chão o que ao de leve molhou o seu focinho



José Bebiano,
Para Cá das Aves, III

20080224

À TUA ESPERA



Tecerei para ti cheias de orvalho as aveleiras

e dormirei num laranjal de luas sem ti.

Medronheiros de água e lobos orvalhados rodeiam

o meu estrago: andam bailes de avelãs à tua espera.




José Bebiano
Para Cá das Aves II

Imagem(C) Brodetsky

20080206

A ÁGUA AZUL DA CEREJA


Cairá alguma cereja antes que cedo se dê e co cuidado

deixará os ramos enquanto nos lábios acolho a sua cor.

Desvanecido estendo a noite deito o silêncio e adormeço

na água azul da sua cor.


José Bebiano,
Para Cá das Aves II, 1982
Imagem (C) piersidegallery.com