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20080223

NA PALMA DA MÂO


abro as mãos; nelas

podes ver

o que quiseres: apenas

o teu rosto

se não quiseres olhar

para as minhas

mãos

ou as rugas, pregas

finas

nos meus dedos,

outros sinais do tempo

que não foi teu.

Abro as mãos; repara

nelas,deita-lhe ao menos

um olhar

agora que uma estrela

rompeu os céus

no céu de Praga

e as minhas mãos já não cantam

nos teus lábios

para sempre rendidos

ao rasto da estrela

e à luz nocturna

do cristal.


António Mega Ferreira
O Tempo que Nos Cabe