20080217

E chove...


Bóiam leves, desatentos,

Meus pensamentos de mágoa,

Como, nos sono dos ventos,

As algas, cabelos longos

Do corpo morto das águas.


Bóiam como folhas mortas

À tona de águas paradas.

São coisas vestindo nadas,

Pós remoinhando nas portas

Das casas abandonadas.


Sono de ser, sem remédio,

Vestígio do que não foi,

Leve mágoa, breve tédio,

Não sei se pára, se flui;

Não sei se existe ou se dói.


Fernando Pessoa
Imagem(C) Johann Fournier

8 comentários:

Maria disse...

Lembro-me de ter dado este poema na escola...
é muito bonito., assim como o relógio de parede...
Excelente escolha para a noite de hoje

Beijos

Brancamar disse...

Venho desejar-te uma boa semana.
E como estou assim como os pensamentos de Fernando Pessoa neste poema, fico com os versos e com eles me vou, sem saber "...se existe ou se dói."

Carminda Pinho disse...

Amiga,
desatentamente, ouvindo a chuva a cair, poderá ser uma boa forma de destressar...

Beijos

avelaneiraflorida disse...

Amiga Maria,

a chuva limpa as palavras...
bjkas!

avelaneiraflorida disse...

Querida Brancamar,

Também uma boa semana para ti, Brigados!

Bjkas!

avelaneiraflorida disse...

Querida Carminda,

ou de deixar o tempo esquecer...

Bjkas!!!!

papagueno disse...

Que esta chuva leve as mágoas todas.
Bjks

avelaneiraflorida disse...

Oxalá, amigo Papagueno!!!!

Bjkas!