20080530

A taça do rei de Tule


[...]

E atirou a taça ao mar, do varandim rendilhado, por que ninguém mais, bebendo por ela, viesse a conhecer os segredos daquele amor de balada, feito de suspiros e raios de lua, perfumes de laranjeira e baques de coração espezinhado.

A taça oscilou ligeiramente nas águas, fez umas reviravoltas antes de seguir mar em fora, como uma gôndola deserta que procura o gondoleiro.

E o rei considerava em voz triste:"Quem mesmo velho poderá guardar-te dia e noite, taça de amor por onde os meus lábios beberam os vinhos generosos, por essas noites perladas dos ecos das serenadas, dos perfumes festivais das rosas e da embriaguez dos profundos amores?...Abandonaram-me os meus cavaleiros e não me queixo, fugiram-me os cortesãos e estou tranquilo: só a ideia de te deixar me atormenta, pois tu guardas inteira e palpitante a história do meu coração."

[...]


Fialho de Almeida
in O País das Uvas
Imagem(C) Josephine Wall

6 comentários:

Méon disse...

Um clássico! Ah!

E a taça? Por onde andará?

Dia bom, Avelã!

avelaneiraflorida disse...

Méon,

a taça? andará entre os que nela queiram beber...e sonhar!!!!
Que te seja um BOM DIA, também!!!!

santiago disse...

...e também as lindas imagens que nos são oferecidas, além das palavras...

monge disse...

olá avelaneira

Uma novidade. Não li ainda, mas gostei. Boa sugestão e bom fim de semana.

Bj

avelaneiraflorida disse...

Amigo monge,

valerá sempre a pena retornar às leituras dos nossos contistas!!!
Boas leituras!!!!

e BOM fim de semana!!!!
bjkas!

avelaneiraflorida disse...

Amigo Santiago,

e o olhar precisa de todas elas...para se encantar!!!!

Bom fim de semana!!!
Bjkas!!!