20070912

Evolução


Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,

Tronco ou ramo na incógnita floresta...

Onda , espumei, quebrando-me na aresta

De granito, antiquíssimo inimigo...


Rugi, fera talvez,buscando abrigo

Na caverna que ensombra urze e giesta;

Ou, monstro primitivo, ergui a testa

No limoso paul, glauco pacigo...


Hoje sou homem - e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce, em espirais, na imensidade...


Interrogo o infinito e às vezes choro...

Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro

E aspiro ùnicamente à liberdade.


Antero de Quental
Imagem (C) Magritte

12 comentários:

Luzdelua disse...

"Interrogo o infinito e às vezes choro..."

O que fomos um dia e o que mais seremos ainda não é?
Será que teremos respostas em algum lugar?
Hummmm... Me fizestes pensar...
Um beijo com carinho.

Fátima disse...

Minha Amiga,
Mais uma vez me encantas..
Sinto-me bem no teu cantinho.

Parabéns!

Jokinhas

papagueno disse...

Que belo poema com uma imagem muito bem escolhida. É um quadro de Magritte? Bem me pareceu reconhecer o estilo dele.
Beijos

Sophiamar disse...

" E aspiro unicamente à liberdade."

Um desejo que devia ser de todos nós.O mundo seria lindo!

Beijinhos

Méon disse...

"Interrogo o infinito e às vezes choro" - toda a história humana contida neste soneto, resumida neste verso!

Antero é a voz solene da nossa condição.
Obrigado pela partilha.

avelaneiraflorida disse...

LUZDELUA,

Quantas interrogações ao longo da vida?????
E as respostas????? Quantas????

Bjks

avelaneiraflorida disse...

Amiga Fátima,

"Brigados" sempre pelas tuas palavras gentis...

Eu apenas aqui deixo aquilo que os poetas me ajudam a sentir!!!!

Um BOM DIA PARA TI!
Bjks

avelaneiraflorida disse...

Papagueno,

De repente só esta imagem de Magritte me pareceu ser capaz de responder às palavras de Antero...

Bjks

avelaneiraflorida disse...

SOPHIAMAR,

A LIBERDADE é a mais querida e plena vivência do ser humano!!!!!
Infelizmente, a humanidade vai-se esquecendo disso cada vez mais !!!

Bjks

avelaneiraflorida disse...

Méon,

Antero relembra-nos a nossa condição de pequenos grãos de areia no pleno do Universo...

Ilusão que somos grandes, temos nós...

UM BOM DIA PARA TI!

Raquel disse...

Simplesmente adorei o blog, muito agradável, bom em conteúdo.
E este poema de Antero de Quental sobre a evolução, faz-nos refletir sobre a vida!

Parabéns

:)

avelaneiraflorida disse...

Raquel,

Bem Vinda!!!!

Agradeço a amabilidade das suas palavras!
Antero é um poeta muito especial!!!!
Volte sempre!!!!