20070512

ÍCARO

Imagem(C)Joao Werner
Aprendeu a separar o nocturno zinabre
do transumante desejo e poro a poro o dia
larga sobre a pele os perfumes da terra
e o tempo cobre-se de cardos em cinza

tem o olhar escondido na inquietação da luz
guarda no peito o sossego dormente das pedras
um ombro de sombra dá-lhe frescor à boca

mas se ao morrer o abrissem ao meio
nada encontrariam
nem vísceras nem ossos nem sangue
apenas poalha de água
e a dor da infindável travessia

Al Berto, O Medo

5 comentários:

Sam Well disse...

Al Berto valeria como poeta só pelos dois últimos versos deste belíssimo poema!
Como dizes: "Brigados" !!!!!!

Blondie disse...

E não somos todos "Ícaros", andado a perseguir os nossos sonhos?
Uns mais outros menos, é certo...

Beijinhos e bom fim-de-semana

avelaneiraflorida disse...

Mas os "nossos" Icaros ,por vezes, quando se despenham...deixam nódoas bem negras!!!!

Al Berto é de facto belíssimo!!!
Não precisamos dizer mais nada!

Bjks

papagueno disse...

Eu acho que sei porque. Tu usas a opção post video do YT não é? Os meus últimos vídeos no Arde-Rock demoraram 3 dias a aparecer. A melhor solução é copiar(embed) do YT o código e colar ao post em html. é como eu faço no Bairro.
espero ter ajudado.
jinhos

avelaneiraflorida disse...

BRIGADÕES!!!!!!!!!!!

O que vale é ter AMIGOS!!!!!

Vou já experimentar!!!!
Bjhs