20081002

Soneto


Dois amantes ditosos fazem um único pão,

uma gota de luar sobre a erva,

ao andar deixam duas sombras que se reúnem,

deixam um único sol vazio numa cama.


De todas as verdades escolheram o dia:

não se ataram com fios mas com um aroma,

e não despedaçam a paz nem as palavras.

A ventura é uma torre transparente.


O ar, o vinho vão com os dois amantes,

a noite oferece-lhes suas pétalas ditosas,

a todos os cravos têm eles direito.


Dois amantes ditosos não têm fim nem morte,

enquanto vivem, nascem e morrem muitas vezes,

têm a eternidade que é da natureza.


Pablo Neruda
in Antologia
Selecção e Tradução de José Bento
Imagem(C) Rudi Klempert

4 comentários:

Méon, disse...

Pablo Neruda diz tudo o que pertence ao mundo dos amantes ditosos. Versos belíssimos!
Bj

Ad astra disse...

saudades tuas minha amiga...

beijo

avelaneiraflorida disse...

Méon,

e como os poetas dizem...

Beijinho.

avelaneiraflorida disse...

Querida Ad Astra,

que bom o teu voo por aqui!!!!
bem-vinda, amiga!!!!

Bjkas!