20070306

Sopas como esta...


Depois, desconfiado, provou o caldo, que era de galinha e rescendia. Provou - e levantou para mim, seu camarada de misérias, uns olhos que brilharam surpreendidos.Tornou a sorver uma colherada mais cheia, mais considerada. E sorriu, com espanto : - Está bom!
Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia: três vezes, fervorosamente, ataquei aquele caldo.
- Também lá volto! - exclamava Jacinto com uma convicção imensa. - É que estou com uma fome...Santo Deus! Há anos que não sinto esta fome.
Foi ele que rapou avaramente a sopeira [...]


Só podia ser... Eça, pois claro!!!!


in A cidade e as serras

20070305

Agora vou dedicar-me... às Sopas!!!!!!

Espero que, no final, não fique ...pedra sobre pedra!!!!!

20070304

Flânerie 2


Faluas,
Vaga lembrança
Qu'eu de criança
Guardei para mim
Se as vejo ainda
Às vezes no Tejo
Revivo a alegria
Do tempo em que via no rio a passar
Faluas do Tejo
Que eu via a brincar
E agora não vejo
No rio a passar
Faluas vadias
Que andavam ali
Em tardes esquecidas
Qu'eu nunca esqueci
E era tanta a beleza
Que essas velas ao sol vinham criar
Belo quadro da infância
Que ainda não se apagou
E eu tenho a certeza
Que as Faluas do Tejo hão-de voltar
Outra vez a Lisboa
Letra e música Pedro Ayres de Magalhães

20070303

Flânerie...




De quando em vez um(a) alfacinha precisa de reencontrar (-se) com a sua CIDADE!






20070302

FLÂNER...







Exactamente o que a palavra exprime!


Não é susceptível de tradução, me perdoe a língua portuguesa!!!!

20070301

Loucos de Lisboa


Parava no café quando eu lá estava

Na voz tinha o talento dos pedintes

Entre um cigarro e outro lá cravava

a bica, ao melhor dos seus ouvintes


As mãos e o olhar da mesma cor

Cinzenta como a roupa que trazia

Num gesto que podia ser de amor

Sorria, e ao sorrir agradecia


São os loucos de Lisboa

Que nos fazem recordar

A Terra gira ao contrário

E os rios correm para o mar


Um dia numa sala do Quarteto

Passou um filme lá do hospital

Onde o esquecido filmado no gueto

Entrava como artista principal


Compramos a entrada p'ra sessão

Pra ver tal personagem no écran

O rosto maltratado era a razão

De ele não aparecer pela manhã


São os loucos de Lisboa

Que nos fazem recordar

A Terra gira ao contrário

E os rios correm para o mar


Mudamos muita vez de calendário

Como o café mudou de freguesia

Deixamos de tributo a quem lá pára

Um louco a fazer-lhe companhia


E sempre a mesma pose o mesmo olhar

De quem não mede os dias que vagueam

Sentado lá continua a cravar

Beijinhos às meninas que passeiam.


São os loucos de Lisboa

Que nos fazem recordar

A Terra gira ao contrário

E os rios correm para o mar


ALA DOS NAMORADOS/ João Gil, João Monge

20070228

ESCHER

"roubei" esta RELATIVITY ao blog terraque gira.blogspot.com mas acho que esta me deixa mais descansada...



sei lá o que me espera...

Seta Poética...

Na entrada da Biblioteca-Museu República e Resistência,
na parede,
há uma caixa de papel com uma seta

que nos dá uma ordem: TIRE UM POEMA.

Como sou bem mandada, tirei.

A sorte bafejou-me com este:


Alegria da Criação
Plantei a semente da palavra
Antes da cheia matar meu gado
Ensinei ao meu filho a lavra e a colheita
num terreno ao lado
a palavra rompeu
Cresceu como a baleia
no silêncio da noite à lua cheia
Vi mudar estações
Soprar a ventania
Brilhar de novo o sol
sobre a baía
Fui um bom engenheiro
Um bom castor
Amei a minha amada
Com amor
De nada me arrependo
Só a vida
me ensinou a cantar
esta cantiga
JOSÉ AFONSO

20070226

Sabe o que é ser professor, Sra Dona Lurditas?

No início da minha carreira, numa escola de uma zona rural, tinha várias turmas de 7º e 8º anos. Entrávamos de manhãzinha e saíamos ao final da tarde. Muitos colegas tinham de alugar quarto para poderem trabalhar durante o ano, já que viviam a centenas de quilómetros dali.
As estradas de acesso à povoação eram apenas transitáveis no Verão. Invernos houve que a escola foi inundada pelas barreiras de terra que esboroavam com as chuvadas mais fortes...
Enfim, sítios destes, 32 anos depois continuam por certo a existir !!!!!
Mas não são aqueles que vemos nas suas VISITAS TELEVISIONADAS....

Gostaria de saber, Srª Dona Lurditas o que faria se tivesse um aluno que chegava tarde a todas as aulas...porque antes era obrigado a tratar dos porcos e outros animais !!! O cheiro que emanava da sua roupa fazia os restantes afastarem-se dele com repulsa!!! Dentro da sala, sobretudo no frio, o cheiro era mais intenso ...e todos estávamos lá!

Gostaria de saber, Srª Dona Lurditas o que faria se um dia uma aluna lhe desmaiasse na aula e na tentativa de a socorrer fosse levá-la a...( chamar casa ao buraco em que vivia, será demasiado) e a própria mãe nos tivesse quase impedido de lá a deixar, porque segundo ela, ao menos se estivesse na escola " AINDA TINHA UMA REFEIÇÃO PARA COMER!"

Gostaria de saber, Srª Dona Lurditas o que responderia ao Antonino, que chumbava repetidamente, que não sabia escrever o nome direito, mas conseguiu fazer uma história que a turma unânimemente decidiu representar no Natal, o que lhe responderia quando ele vestido de pai natal, para entrar em cena, dizia " EU ACHO QUE ISTO É O SONHO MAIS BONITO DA MINHA VIDA!" e que pouco tempo depois morreu com um problema cerebral...

Gostaria de saber, Srª Dona Lurditas como reagiria a um aluno que depois de ter estado em coma, de ter sofrido na pele os efeitos de drogas várias, tentou voltar à escola e que tinha uma fixação por Picasso, que dizia coisas interessantes, mas estar 45m sentado numa cadeira bem menor do que ele, era o maior dos suplícios!!!!

E, só para não a maçar muito mais, gostaria de saber o que responderia a uma aluna matriculada num Curso Tecnológico do Ensino Secundário, quando questionada sobre a falta de interesse e assiduidade, sobre as motivações de jovem, sobre objectivos de vida, ela lhe respondesse que está na escola para ver se encontra UM MARIDO RICO, o mais não interessa...

Quando me souber responder a estas, e muitas outras, perguntas e me ensinar a fazê-lo de forma EFICAZ, CORRECTA, JUSTA para benefício dos alunos ...

então eu admito que afinal, escolhi a profissão errada, e até aceito os diplomas, portarias, decretos, e o mais que a tutela produzir sem sequer ler!

Mas até lá, digo-lhe que se continuar os mais anos, sujeita a todas as variações que, de repente, vão saindo da sua Caixa de Pandora, faço minhas as palavras do poeta e digo-lhe:

NÃO, NÃO VOU POR AÍ !!!

Este ÓSCAR....


eu não vou querer receber NUNCA!!!!! quer saber porquê Srª Dona Lurditas?????


ps: os meus respeitos ao autor da "obra"

"BRIGADOS" a todos....


Pelo dia feliz que me deram...

20070225