As vacas tresmalhadas pelo asfalto
da cidade, fazem fugir quem passa.
Amarelo...Vermelho! Uma atravessa,
É apanhada, seco, dá um salto,
desentranha um mugido e, abatida,
põe nos olhos mansíssimos a vida.
Que pascigo escolheste, amável bicho?
se não fora o olhar, já eras lixo.
Vaca malhada tresmalhada, vaca
de leite em sangue, atormentado nó
pulsando no asfalto, agora saca
dos misérrimos bofes o seu muuuu
derradeiro. Já sem dor ou protesto,
é da cidade a vaca mais um resto.
Alexandre O' Neill, Poesias Completas















