20070414

ABRIL...


O início...

20070413

Fields of gold

You'll remember me when the west wind moves
upon the fields of barley
You'll forget the sun in his jealous sky
As we walk in the fields of gold
[...]
Lyrics by Sting

20070412

20070410

Transparências...

Imagem (C) Rob Gonçalves

bem haja o bom senso!!!


Sem título


Sou um velho dragão. Pesam-me os anos lendários que me imagimaram até hoje. Receio sair da minha gruta verde musgosa porqu o sol me cega e já não posso responder-lher com o brilho quente do meu fogo...
Olho com tristeza à minha volta. Já não vejo os palácios brilhantes de altas torres. Nem as florestas cerradas e espinhosas que costumavam erguer à minha volta. É triste ser-se dragão de coisa nenhuma...
Dantes imaginava como seria a vida de dragão sonhado de mil e uma maneiras pelas louras princesas e bravos guerreiros de braços férreos. Gostava que me desafiassem. Gostava de ver a intrepidez, o perigo de me defrontarem, espelhados na fronte daqueles para quem a luta tinha a pureza de um ideal maior...
O meu fogo tornava-os mais seguros e fortes...Só por ele me podiam vencer...ou morrer. Mas, essa morte, era por eles esperad e desejada como o prémio final de toda a sua coragem. O sonho era vencerem-me. Levar o meu coração aos pés de princesas de louras tranças e deixar que a floresta cobrisse o resto do meu corpo em espinhos do esquecimento.
Agora, ninguém chega pelo caminho verde brilhante ou branco só. Espero, espero... e os meus olhos alongam-se pela floresta da longa estrada de pinheiros tão altos como a torre do castelo que fica além das nuvens.
Passam as noites negras e brilhantes que gotejam résteas de luz nas minhas escamas doridas do tempo e sinto o cheiro acre do enxofre desvanecer-se nas memórias desta caverna...
Sou um velho dragão. Repito-o a mim próprio como um encantamento maléfico que espero quebrar ao som da minha própria voz. Não acontece nada! Os mágicos não sabem o que é ser um velho dragão...
Tentei fazer amigos. Mas um dragão assusta.
A andorinha, negra como eu, não sabe dizer D-R-A-G-Ã-O... As violetas do céu da minha gruta tremem de medo quando, erguendo a cabeça, me aproximo delas para lhes perceber o azul... Até a aranha de cruz, que tece sobre mim pérolas de ar e cor, foge espavorida ao pequeno sopro do meu hálito morno...
Resta-me o fim de lenda, envolto em mistério.
Sei que ele virá pela estrada de pinheiros altos como o castelo das nuvens. Num dia bem igaul aos do passado, em que era dragão de princesas, cavleiros e palácios.
Aquela espada brilhante ser-me-à destinada. E, quando me cravar o coração, dele hão-de brotar sóis radiantes ou lágrimas de prata, como no mais antigo dos contos das Fadas...

20070409

Não Choro

A dor não me pertence.


Vive fora de mim, na natureza,

livre como a electricidade.


Carrega os céus de sombra,

entra nas plantas,

desfaz as flores...


Corre nas veias do ar,

atrai nos abismos,

curva os pinheiros...


E em certos momentos de penumbra

iguala-me à paisagem,

surge nos meus olhos

presa a um pássaro a morrer

no céu indiferente.


Mas não choro. Não vale a pena!

A dor não é humana.


José Gomes Ferreira

MEA CULPA!

Imagem(C)Zamorin

AMANHECER


Floresce, na orilha da campina,
esguio ipê
de copa metálica e esterlina.
Das mil corolas,
saem vespas, abelhas e besouros,
polvilhados de ouro,
a enxamear no leste, onde vão pousando
nas piritas que piscam nas ladeiras,
e no riso das acácias amarelas.
Dos charcos frios
sobem a caçá-los redes longas,
lentas e rasgadas de neblina.
Nuvens deslizam, despetaladas,
e altas, altas,
garças brancas planam.
Dançam fadas alvas,
cantam almas aladas,
na taça ampla,
na prata lavada,
na jarra clara da manhã...
João Guimarães Rosa