
Estava a romper a manhã, destas manhãs alvissareiras de Agosto, tão movediças que ainda as sombras correm pela terra como cabras pretas que vão sem destino e já o céu parece a Este uma suspensão aluvial de rosas, rosas brancas, mais e mais esfloradas. A distância, porém, flutuava ainda um arzinho de noite, que imprimia aos vultos tons dormidos, de quase sentida sensibilidade.
As coisas todas, pouco a pouco, vinham a lume, cresciam, tomavam a sua disposição própria, como mesa em que matinal escudeiro, de casaco branco, vai pondo toalhas alvíssimas, cristais e louças cintilantes, para o café com leite de amos ainda adormecidos. A cotovia subira ao céu e por lá se perdia, padejando a asa, a entoar o hino ao Sol nado. Ele lá rompera detrás dos montes, mais loiro que broa a sair do forno, derramando pela terra a mansa amarelidão do azeite a alastrar no prato.
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Aquilino Ribeiro,
Andan Faunos pelos Bosques
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